01 dezembro 2017

Voltando ao ambiente escolar.

Oi amores! 💜

Hoje vim desabafar com vocês.

Alguns sabem que por diversos motivos parei de estudar em 2012. Tentei concluir meus estudos de outras maneiras como o CEEJA, mas uma tentativa de estupro no ponto de ônibus, o medo e minha pouca força de vontade fez com que eu abandonasse novamente a escola.
No ano passado, após muito lutar com o meu eu interior e todos os meus medos e receios, decidii  que iria concluir o ensino médio e depois remar em direção ao meu sonho de cursar Letras. Então preenchi a ficha para mais uma vez aguardar vaga em uma escola do EJA. Preenchi sem expectativas, já era o terceiro ano que tentava vaga, só que dessa vez eu contei minha história para a secretária da escola e ela falou que tentaria me encaixar.
Passou a chamada para o primeiro semestre e nada. Estavaá triste quando recebi uma ligação que me animou, era da da escola, a secretária falou que se eu quisesse começar na turma do segundo semestre o meu nome era o primeiro da lista. A partir desse dia a ansiedade me consumia, foram os seis longos meses.
Na primeira semana de julho a escola me liga novamente para confirmar a vaga e para que eu leve os documentos. Papelada pronta. Faltava um mês para o grande dia e esse mês foi tão longo quanto os outros seis.
Finalmente chegou o primeiro dia de aula. Eu estava empolgada e ao mesmo tempo com muito medo de que tudo desse errado, que eu não fosse mais a garota inteligente e sociável que já fui um dia. Como boa ansiosa que sou, arrumei minhas coisas uma semana antes e a roupa um dia antes, para que na hora de me arrumar para ir à escola eu mudasse todo o look kkk. Saí de casa quase 2h adiantada e cheguei na escola faltando um 1h para entrar. O primeiro dia não foi aquele bichoe bixo de sete cabeças que eu estava pintando, mas só falei o que me perguntavam e não puxei assunto com ninguém. A primeira semana inteira foi assim.
Na segunda semana estava me sentindo um pouco mais segura, então comecei a puxar assunto com a moça que sentava ao meu lado e assim fui perdendo a vergonha e hoje falo com todos da minha turma e alguns de outras turmas também.
Na segunda semana eu estava no ponto e uma garota perguntou se eu pegava o ônibus Tangarás para ir embora e eu respondi que sim que era o mesmo que o dela, ela pediu que eu avisasse quando o ônibus tivesse vindo e nesse dia fomos embora conversando, descobrimos que moramos há anos na mesma rua, diferença de uma quadra, que nossos pais são amigos e nós não nos conhecíamos. Desde esse dia viramos amigas, segundo um amigo nossas almas só se reencontraram, pois parecemos melhores amigas de infância.
As aulas foram passando e eu descobri que continuo inteligente kkk, ganhei o título de nerd da sala e de papelaria ou Jalovi, porque tenho de tudo na bolsa.
A volta à escola não foi só coisas boas e o que eu não queria que acontecesse, aconteceu. Minhas crises continuaram e algumas vieram mais fortes que nunca me fazendo ter muitas faltas na escola e pela primeira vez na vida eu fiquei com medo de reprovar por nota, pois como estou com muitas faltas e em quase todas as aulas tem algo que vale um ponto ou nota, estou com medo de reprovar por nota, mais do que por faltas.
Já pensei em desistir, mas uma das amigas que a escola me trouxe conversa sempre comigo e não deixou que eu desistir. Ela está me ajudando muito. Sempre que falto ela explica o motivo para os professores e ainda me passa toda a matéria.
Estou me esforçando para não ter mais crises. Não é fácil. E é em meio a uma delas que estou escrevendo esse texto de como está sendo difícil me readaptar a escola, a bagunça dos alunos que me deixam com enxaqueca contínua, as cadeiras e mesas que me deixam com dores nas pernas e costas. Algumas brigas que acontecem na escola, eu não conseguir fazer as coisas da minha maneira e até o medo de ser atacada nas ruas ou no ponto de ônibus novamente.
São tantas questões que não me deixam ficar em paz, mas que com fé eu vou vencer e vou aprender a me adaptar ao local onde vou passar mais um período da minha vida, assim me preparando para minha tão sonhada e desejada faculdade.


Beijinhos, Kim. 💜

2 comentários

  1. Olá, Kim!
    A celeuma social muitas vezes nos faz acreditar que de nada adiantam os sonhos ou as boas intenções de fazer-algo-diferente. Que em cada esquina, ponto de ônibus ou dentro da escola haverá alguém a nos apontar um trauma não superado ou um medo incomum de que aquilo aconteça de novo... E de novo... E de novo esses fantasmas travestidos de seres de carne e osso (e zero empatia) assombram nosso desejo de seguir em frente.

    Mas por que eles devem ser a metáfora das correntes que se arrastam em casas assombradas de lembranças? De seres incorpóreos que vêm reclamar a eterna-dor-existencial?

    Você que pouco conheci e muito já admiro: qual o sentido da vida a não ser enfrentar esse sistema corruptível de senso comum sendo tão nós-mesmas-loucas destoando de tudo?

    Resumo ou suspiro da escrita: Volta a estudar, garota! Joga esse potencial imenso que transmite pela palavra escrita e o transforma em grito para essa mesmice que tanto inquieta o ser humano! Pega logo esse raio de pedaço-de-papel-diploma e faça o curso que tanto almeja. Transforme o mundo exterior nessa rebelião que já existe dentro de você!

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  2. https://www.youtube.com/watch?v=4N3N1MlvVc4

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