03 maio 2018

Meninos sem pátria


Oi amores! 💜

O livro que trago para vocês hoje é Meninos sem Pátria. Ele faz parte de uma coleção infanto-juvenil bem conhecida, a Série Vaga-Lume. Li alguns livros da séria na infância/adolescência e agora que voltei a estudar encontrei a coleção na sala de leitura da escola e vi alguns títulos que eu não havia lido ainda. Meninos sem Pátria foi um deles, então aqui vai como eu enxerguei toda a história.



Livro: Meninos sem Pátria
Série: Série Vaga-Lume
Autor: Luiz Puntel
Gênero/Ano: Infanto-juvenil / 1987
Editora: Ática
Sinopse:
“Filhos de um jornalista perseguido por questões políticas, Marcão e Ricardo foram forçados a deixar o Brasil. Juntamente com seus pais, os irmãos fugiram para o Chile e, em seguida, para a França. Acompanhando os passos desses garotos, o leitor vai conhecer a jornada de muitos jovens que tiveram de abandonar seu país por causa do regime militar, imposto em 1964.Em seus livros, o consagrado escritor Luiz Puntel faz o leitor refletir sobre problemas brasileiros e assim adquirir uma postura crítica sobre a realidade que o cerca. Em Meninos sem pátria, o autor aborda os temas da ditadura e do sofrimento do exílio, além de levar o leitor para uma viagem por diferentes países e culturas.”

“Esse cara vai me fazer falar sobre o Brasil, vai me fazer sentir saudades do Brasil, vai me dar vontade de voltar ao Brasil” – (Fernando Gabeira)

Ambientada na época da Ditadura Militar no Brasil, o livro vai contar a sobre a vida de Marcão e sua família que são obrigados a se exilar, após seu pai, Zé Maria, sofrer perseguição por denunciar em seu jornal “O Binóculo” que um padre foi preso e torturado pelos militares.
Assim eles saem da pequena cidade de Canaviápolis e vão para a Bolívia, os irmãos Marcos (Marcão) e Ricardo (Rico) e os pais Zé Maria e Tereza, que está grávida de alguns meses. Da Bolívia, eles são obrigados a fugir para o Chile, lá nasce Pablo, o terceiro filho da família.

“– Na verdade, seu pai está defendendo as ideias dele. E está sendo perseguido porque tem gente que não concorda com suas opiniões. Cristo também foi mal interpretado e...
– Ele também era jornalista? – perguntei, de supetão, logo percebendo que cometera uma gafe.
– Não, não era... – o padre sorriu, meio desconcertado, mas com ternura. – O crime dele foi estar sempre ao lado dos pobres e resumir toda a sua filosofia em uma única frase: “Amai-vos uns aos outros”.”

Após a morte do atual presidente do Chile eles se veem obrigados a partir, mas como não sabem pra onde ir entram na embaixada francesa e ficam alguns meses lá até serem enviados para a França. Na França, eles são instalados em Sceaux, banlieue sul de Paris, os meninos retomam os estudos e fazem amigos, entre eles alguns outros exilados brasileiros.
Marcão nos mostra entre as crises adolescentes, como o primeiro beijo, o amor, a primeira bebedeira e seu relacionamento com os amigos e família como era sua vida de exilado. Mostrava-se sempre com saudades da sua pátria, mas com o tempo foi descobrindo que não sabia mais quase nada sobre o Brasil.

“Quando as luzes se apagaram e o primeiro tiro foi detonado, avariando seriamente o chapéu do mocinho, eu me senti o dono do mundo. Olhávamos para a tela, de mãos dadas, sem ver o filme, preocupados não mais com as correrias dos índios, bandidos e mocinhos, mas em não soltar as mãozinhas que trazíamos apertadas, com medo de mexer um músculo e isso ser interpretado como cansaço ou desamor. Não sei se foi ela quem me beijou ou se fui eu quem a beijei, se é que pode chamar de beijo ao encontro furtivo e medroso dos lábios de um menino de calças curtas e os lábios trêmulos de uma inexperiente garota. Sei que foi um beijo novinho, mais gostoso que morango com chantilly.”

Na França também são perseguidos, mas como foi em local público, Zé Maria deu queixa e o perseguidor (ex- militar) é preso, deixando assim a família livre de perseguições. Nesse tempo nasce Nicole, quarta criança da família e primeira menina.

“O que eu estou tentando dizer, Claire, é que não dá pra viver o agora pensando no depois. Se fosse assim, seu pai não teria casado com sua mãe, porque depois ele teria de ir para a guerra da Argélia, porque depois você ficaria órfã, porque depois... Eu já aprendi uma coisa na vida, Claire: viver o agora, porque o depois ninguém sabe o que será. Imagine se eu, quando saímos do Brasil, ficasse esperando o depois para viver. Sim, porque desde que tenho dez anos que vivo nessa vida de cigano. Uma vida que pode durar muito mais do que eu penso. É certo que eu posso voltar amanhã, no ano que vem, daqui a dois anos, sei lá... Como posso não voltar nunca mais. Mas isso, o depois, vai depender sempre do agora, do que eu viver agora.”

Marcão tem sua namorada, aprende muito sobre o Brasil e dá uma aula para seus colegas franceses comparando os dados do Brasil com os da França. A Anistia é assinada no Brasil, levando todos de volta para casa.

 “Lembro-me do tempo do exílio, quando a saudade era do Brasil como um todo. O Brasil me faltava [...]. Era preciso reaprender o Brasil.” – (Paulo Freire)

É uma história que tem muito à somar em nossas vidas, nos ensina o valor da nossa pátria. Mostra que mesmo em família, podemos sentir falta do lugar ao qual sempre pertencemos. Que não são todos que conseguem se adaptar em outros países, ainda mais na situação em que eles precisaram se adaptar, com muitos medos e traumas que talvez levem para toda a vida.
O livro nos mostra o valor da nossa pátria e algumas curiosidades que eu não sabia sobre o nosso hino e sobre nossa bandeira.

O autor
Luiz Puntel nasceu em Minas Gerais. Ainda criança, mudou-se para São José do Rio Pardo, no estado de São Paulo. Na adolescência foi para Ribeirão Preto, ainda no mesmo estado.
Puntel decidiu ser um padre, chegando até a entrar no seminário. Depois desistiu e começou a exercer várias profissões, entre elas a de professor de redação e português. Ele é diretor da Oficina Literária Puntel.Formado em letras,com especialização em frânces.
Atualmente, Puntel é um escritor muito conhecido, que escreve principalmente para jovens, e ainda reside em Ribeirão Preto.

Que esse meu resumo/resenha venha falar com você.
Você já leu o livro? Fale o seu ponto de vista. Ainda não leu? Deixe o seu comentário.
Beijinhos, Kim.

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